Por que a Educação Climática é mais importante do que nunca
Em março de 2025, tive a oportunidade de conduzir um Coffee Break Virtual no Alumniportal Deutschland, com o tema “Why Climate Education is more important than ever”. O encontro reuniu ex-bolsistas que passaram pela Alemanha, pesquisadores e profissionais de diversas áreas para refletirmos sobre o papel da Educação Climática em um mundo em rápida transformação.
A mudança climática não é apenas um fenômeno científico, mas um desafio socioambiental complexo que afeta diretamente a vida das pessoas, intensificando injustiças sociais, desigualdades e impactos emocionais. Por isso, a Educação Climática não deve se limitar à transmissão de conceitos técnicos: ela precisa preparar crianças, jovens e comunidades para compreenderem os riscos ambientais e sociais, fortalecerem sua resiliência diante das crises e se engajarem em ações concretas em prol da justiça climática.
Apesar de avanços importantes, como o reconhecimento da Educação Climática no Artigo 12 do Acordo de Paris e a inclusão do tema em compromissos nacionais de mais de 40 países, ainda existe um grande abismo entre política e prática (Earth Day). Na realidade, professores raramente recebem formação adequada e, quando isso acontece, ela costuma estar restrita a disciplinas específicas, como ciências ou geografia. Muitos educadores relatam sentir-se sobrecarregados e inseguros para abordar temas como justiça climática, emoções ou soluções práticas (Beach, 2023; Ennes et al., 2021). Ao mesmo tempo, vemos jovens de todo o mundo saírem às ruas em greves climáticas históricas, pedindo ação, enquanto as escolas ainda oferecem uma abordagem superficial e pouco transformadora.
No encontro, destaquei que precisamos integrar a Educação Climática em todos os cursos de formação docente e oferecer treinamentos contínuos também para professores que já estão em sala de aula. É igualmente importante criar redes de apoio que favoreçam a troca de experiências e reconhecer os educadores como protagonistas de uma educação para a justiça climática. Defendi ainda que as escolas sejam vistas não apenas como locais de ensino, mas também como espaços de proteção e resiliência. Em muitos países, elas já abrigam famílias durante desastres climáticos, o que mostra que a infraestrutura escolar pode ensinar tanto quanto os currículos.
Compartilhei também resultados da minha pesquisa de mestrado, quando entrevistei crianças de diferentes regiões do Brasil sobre o que sabiam a respeito das mudanças climáticas. Muitas diziam que em sala de aula o tema é associado a imagens distantes, como ursos polares, sem conexão com suas realidades locais. Outras confundiam conceitos básicos sobre clima, como a origem do dióxido de carbono e denominações de eventos climáticos extremos. Mas o que mais me marcou foi o desejo expresso por elas: aprender de forma prática, vinculada ao cotidiano e sentindo-se parte da solução. Essa experiência reforçou a necessidade de superar um ensino superficial e promover uma aprendizagem crítica, contextualizada e emancipadora.
Concluímos que a Educação Climática é muito mais do que uma disciplina escolar: ela é uma estratégia de transformação social. Para cumprir esse papel, precisa estar enraizada nas realidades locais, estimular o pensamento crítico e abrir caminhos para que crianças, jovens e educadores se tornem protagonistas da mudança. Defendo uma educação que seja interdisciplinar, conectada às comunidades e voltada para a justiça climática e para a ação coletiva.
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