O que aprendi pesquisando Educação Climática no Brasil e na Alemanha

Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de pesquisar e vivenciar como diferentes países abordam a Educação Climática. Entre Brasil e Alemanha, encontrei semelhanças, mas também diferenças que dizem muito sobre o papel da cultura, da escola e da sociedade na formação de crianças e jovens diante da crise climática.

Durante o mestrado, entrevistei crianças brasileiras para entender como elas compreendiam as mudanças climáticas. Muitas associavam o tema a imagens distantes, como ursos polares, sem perceber as conexões com suas próprias vidas. Outras entendiam que as mudanças climáticas já estão acontecendo em seus territórios, mas confundiam conceitos básicos, como dióxido de carbono e fumaça de carros. No entanto, o que me chamou mais atenção foi o desejo delas de aprender de forma prática, conectada ao cotidiano e que as fizesse sentir parte da solução. Essa experiência mostrou como ainda carecemos de estratégias pedagógicas que aproximem ciência e vida real, ajudando as crianças a se reconhecerem como protagonistas de respostas locais.

Mais tarde, já na Alemanha, ao participar de programas e debates internacionais, percebi uma outra dimensão. Aqui, a discussão sobre clima tende a ser mais institucionalizada e científica, mas nem sempre dialoga com a realidade vivida pelos jovens. Em entrevista ao jornal Tagesspiegel, destaquei como as juventudes do Brasil e da Alemanha se relacionam de formas diferentes com a crise climática e como os países desenvolvidos deveriam escutar mais as vozes jovens do Sul Global a fim de entender melhor o significado de justiça climática. O que precisamos é de uma educação que leve em conta também fatores culturais, sociais e emocionais, e que prepare jovens para tomar decisões coletivas em situações de incerteza.

Essa visão se aprofundou quando compartilhei minha pesquisa com a equipe da Plant-for-the-Planet na Alemanha como integrante de seu conselho pedagógico. Minha análise ajudou a repensar a metodologia das Academias de formação em educação climática, que vinham sendo aplicadas em vários países de forma padronizada. Argumentei que, para serem realmente eficazes, essas iniciativas precisam se adaptar ao contexto local, valorizar culturas regionais e dialogar com as experiências concretas das crianças e jovens. Afinal, ensinar sobre clima na Baviera não é a mesma coisa que ensinar na Bahia.

O que aprendi nesse percurso é que a Educação Climática não pode ser universalizada sem crítica. Ela precisa ser flexível, capaz de reconhecer as especificidades locais e, ao mesmo tempo, conectá-las a debates globais. No Brasil, isso significa falar sobre enchentes, queimadas, desigualdade social e vulnerabilidade. Na Alemanha, significa pensar em consumo, mobilidade e responsabilidades históricas nas emissões. Em ambos os contextos, o desafio é o mesmo: criar aprendizagens críticas e significativas que preparem a juventude não apenas para entender a ciência, mas também para agir em prol da justiça climática.

Educação Climática, portanto, é sempre uma ponte entre ciência e cotidiano, entre global e local, entre conhecimento e ação. E foi nesse diálogo entre Brasil e Alemanha que aprendi que a transformação só acontece quando as crianças e jovens se reconhecem como parte da mudança.

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