Educomunicação: dar voz aos jovens em tempos de crise climática

Sempre acreditei que a comunicação não é apenas uma ferramenta para transmitir informações, mas também um processo educativo capaz de transformar realidades. Foi com essa perspectiva que, entre 2012 e 2016, participei da coordenação das coberturas jovens das Conferências da ONU sobre Clima (COPs) com a Viração Educomunicação. Todos os anos, levávamos delegações de jovens de diferentes países para atuarem como comunicadores, produzindo conteúdos que explicavam, em linguagem acessível, o que estava em jogo nas negociações internacionais.

A experiência era intensa: antes da viagem, os jovens passavam por formações para entender o funcionamento das COPs e os principais temas em debate. Durante o evento, fazíamos reuniões de pauta diárias, acompanhávamos a produção de textos, vídeos e entrevistas, e oferecíamos mentorias constantes. Mais do que ensinar técnicas jornalísticas, o objetivo era criar um espaço de diálogo de jovem para jovem, mostrando que as mudanças climáticas não eram um assunto distante, restrito a políticos e cientistas, mas algo que impactava diretamente suas vidas e comunidades.

Anos depois, já em 2025, voltei a experimentar a força da educomunicação em outro contexto, bem diferente: um workshop com adolescentes no Sommercamp do Ökodorf Sieben Linden, na Alemanha. Lá, trabalhei com jovens de 11 a 13 anos em torno do tema da água. Durante três horas e meia, exploramos reflexões críticas sobre consumo e justiça hídrica, sempre conectando os aprendizados a uma produção criativa: colagens educomunicativas que expressavam as percepções e ideias dos adolescentes. Ao final, a atividade mostrou que a comunicação, quando usada de forma participativa, é capaz de abrir caminhos para que os jovens expressem suas visões de mundo e se reconheçam como parte da solução.

Essas experiências, embora distintas, reforçaram em mim a convicção de que educação e comunicação caminham juntas. A educomunicação permite que jovens deixem de ser receptores passivos de informações e se tornem protagonistas, produtores de conhecimento e multiplicadores de mudanças. Em tempos de crise climática, em que fake news, discursos negacionistas e sentimentos de impotência são tão presentes, dar voz às juventudes é também um ato de justiça climática.

Educomunicação não é apenas uma metodologia. É um convite para escutar, dialogar e reconhecer que os jovens têm muito a ensinar quando o assunto é futuro.

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