Como transformar temas complexos em aprendizagens significativas

Um dos maiores desafios da educação para a sustentabilidade é ensinar temas complexos sem reduzi-los a simplificações vazias. Questões como mudanças climáticas, recursos naturais, consumo e justiça social são interdependentes, carregam controvérsias e envolvem diferentes pontos de vista. Para muitos educadores, a pergunta que surge é: como tornar tudo isso compreensível, sem perder a profundidade necessária, e ainda engajar estudantes de diferentes idades e contextos?

Na minha trajetória como educadora e pesquisadora, tenho buscado justamente esse caminho: transformar complexidade em aprendizagens significativas, que conectem teoria e prática, ciência e cotidiano, reflexão e ação. Durante o meu doutorado em Educação pela UFSCar, por exemplo, trabalhei com o desenvolvimento de estudos de caso sobre dilemas socioambientais. Em vez de apresentar apenas conceitos abstratos, levei para a sala de aula controvérsias reais, como os impactos dos brinquedos plásticos na infância e a discussão sobre hambúrgueres vegetais produzidos a partir de soja. Ao confrontar os estudantes com essas situações concretas, foi possível promover não só a compreensão de aspectos científicos, mas também debates críticos sobre economia, saúde, cultura e meio ambiente.

Essa abordagem mostrou que, quando convidamos os alunos a analisar problemas reais, eles aprendem de forma mais engajada e profunda. As controvérsias despertam perguntas, estimulam o pensamento crítico e ampliam a noção de que a sustentabilidade não é uma questão linear, mas um campo em disputa que envolve escolhas políticas, sociais e pessoais.

Além dos estudos de caso, também experimentei metodologias lúdicas, como o jogo que desenvolvi junto a colegas durante a Berlin Science Week 2023. Naquele encontro, criamos cenários interativos para discutir o tema Our Precious Resources, dentro do programa de residência da Alexander von Humboldt Foundation. Os participantes foram convidados a assumir papéis em situações fictícias, tomar decisões coletivas e lidar com dilemas sobre o uso de recursos naturais. A dinâmica gerou reflexões intensas, pois permitiu que cada um vivenciasse a complexidade dos problemas e percebesse os impactos de diferentes escolhas.

O que aprendi com essas experiências é que a chave não está em simplificar o conteúdo, mas em criar pontes entre a complexidade e a realidade dos aprendizes. Quando aproximamos os temas das suas vivências, oferecemos ferramentas para que possam compreender relações sistêmicas, elaborar seus próprios posicionamentos e imaginar soluções criativas.

Transformar complexidade em aprendizagem significativa exige coragem para abrir espaço ao debate, à incerteza e às múltiplas perspectivas. Mas é justamente esse movimento que prepara educadores, jovens e comunidades para enfrentar os desafios da sustentabilidade de forma crítica e emancipadora.

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